sábado, 10 de julho de 2010

O ser humano e sua luta para atingir o bem

 É possível somente pensar o bem justamente porque ele é algo do qual o ser humano não tem conhecimento. Ele não pode produzir uma representação daquilo que é pensado ser o bem; não encontra em seu mundo e até mesmo em sua própria constituição subjetiva, nada que possa produzir algo bom sem limitações, ou seja, sem nada que possa restringir o seu valor.

 Até sua própria condição humana, de animal racional que possui vontade e delibera de acordo com as determinações dessa vontade, reduz a possibilidade deste bem tornar-se um fato em seu mundo por meio de suas ações. Ademais, o bem é tão inatingível para o ser humano, que muito se escreve sobre o que é esse bem - e alguns dos seres humanos que investiga esse conceito etéreo, chega a fundamenta-lo de forma esplêndida, tamanha é a sede de atingi-lo.

 Porque o ser humano não discute acerca do mal? Porque não poderia existir um conceito como o mal supremo, e dele ser escritos compêndios, tratados, a fim de fundamentar sua existência e valor na natureza humana?

 Não seria nada produtivo a qualquer teoria filósofica adotar o mal supremo como conceito de interesse abstrato, porque este sim o ser humano tem conhecimento e pode produzi-lo. O que é mal, ou que é de alguma forma prejudicial e causa de horror é facilmente reproduzido no mundo por meio da ação humana. Os registros da história contém inúmeras reproduções do mal, e a criatividade humana neste quesito se mostra surpreendente - basta que se pesquisem as torturas da Inquisição.

 Pensar sobre o bem é completamente possível, pois é um meio de consolidar a representação deste conceito abstratamente, e por isso se encontram conceitos plausíveis de bem, construídos com destreza argumentativa típica de ser humano que pensa, e que pode construir pensando aquilo que não possui concretamente.

2 comentários:

Rívia Petermann disse...

Olá
Postagem perfeita...

Praticar as divergências entre bem e mal é quesito sempre discutível entre pessoas que se interessam em olhar para a vida,isso é fato.
Entretanto o fato realmente relevante é que deseja-se praticar o bem não por filantropia,mas por que o senso comum di que o bom correto e normal é assim.Já o mal...Deveria ser de fato confiscado?Não se afirma que o homem é expert em praticá-lo.Não total hipocrisia,mas ignorância...
Peguemos como exemplo a instituição supostamente baseada no bem moral e espiritual;a igreja.Os maiores horrores e falhas históricos podem ser incontestavelmente atribuídos a esta,mas nenhuma espécie de condenação.E os que a condenam,chamados de loucos,invariavelmente cruéis pagãos.Resta tentar conviver com isso,o que não é possível sem ceder a um quase irresistível vazio...

Adorei o texto,muito.
Abraços

Brennah Enolah disse...

Obrigada querida Rívia!