quinta-feira, 6 de maio de 2010

O vazio, o sentido, a morte.

Nós estamos acostumados a negar o vazio. Às vezes nem nos damos conta do vazio, passamos por ele, ou estamos com ele e não o enchergamos. Estamos envolvidos por uma camada de ilusão, que não deixa enchergar o vazio cosntantemente. Há pessoas que simplesmente ignoram o vazio por acreditarem tão piamente nesta camada ilusória que se chama cotidiano.
O vazio é aquele oco que se encontra conosco e nos abraça, nos aperta e nos enche de nada. O nada não existe? Sim, pode ser que não exista fisicamente, porém todos sabem quando o nada se instala em sua vida. O nada é expressivo, o vazio é pleno de algo que não se sabe explicar; é o que desmotiva o indivíduo na sua eterna luta rumo ao sentido disso tudo - se é que existe algum sentido. Quando o indivíduo se dá conta do vazio, ele simplesmente sente-se perdido, tudo o que antes tinha sentido passa a não ter. O que antes o motivava para continuar vivendo, agora perdeu todo o brilho, a importância. O nada é perigoso para a sobrevivência do indivíduo.
 A vida é um oceano sem norte. O sentido é a falsa sensação da existência de norte, ou será que o norte realmente existe? O sentido é a venda colocada nos olhos do indivíduo, para que ele não enchergue o mundo como ele realmente é, mas sempre com uma máscara de beleza, de fluidez. A morte chega quando o indivíduo, já sem as vendas do sentido, não suporta mais viver no vazio.

O vazio é perigoso.

3 comentários:

Edmilson R. da Silva disse...

A ilusão causada pelos sentidos é um cotidiano onde estamos todos ocupadíssimos com nossas vidas, filhos, amores, trabalho, sociedade e tals. Mas que sentido é esse? Qual é a moral da história toda? O objetivo é terminar a faculdade, comprar um carro, ganhar um aumento, ter um casal de filhos, construir a casa dos sonhos... enfim, não serão todos esses sentido em nossas vidas que tornam tudo sem motivo e totalmente vazio.

Viver com todos os sentidos é a maior das ilusões humanas e não exista nenhum ente, deus ou semi-deus, que dê conta de explicar o vácuo de nossas existências.

Rívia Petermann disse...

Oi...

"para que ele não enchergue o mundo como ele realmente é, mas sempre com uma máscara de beleza"
Gostei dessa parte em especial...postei sobre isso há um tempo atrás,sobre a nudez das coisas e como seria a vida sem a presença inserida da beleza.E,claro,cheguei à conclusão de que esta nos cega,inteiramente...

E o vazio,grande parte dessa não participação dos sentidos...E só não o vê quem se engana,e ao mundo se rende...Como entorpecência...

Adorei o texto,muito.

Prof. Francisco Muriel disse...
Este comentário foi removido pelo autor.